Diário de um jogador – RPG na minha vida – parte 1
Há muito tempo, numa terra muito distante, dois nobres heróis, um cavaleiro e um ladrão, estavam espreitando um bando de assassinos que haviam arrasado uma pequena vila atrás do Ungoiath, uma jóia rara que pertencia a uma antiga Família real do Reino de Esteroyh. Eles estavam esperando anoitecer e ataca-los de surpresa. Ao se virarem, no entanto, eles viram que dois daquele bando brandiam as suas espadas em seus pescoços e…
Jogador 1: “Como é que é?”
Mestre: “Isso mesmo, o bando sabia que eles estavam sendo perseguidos. Agora vocês dois tem de jogar um D20 para ver se conseguem sair dessa enrascada e…”
Quantas pessoas por aí nunca passaram por uma situação parecida ou, pelo menos, próxima a esta acima descrita? Bem vindos ao maravilhoso mundo dos RPG’s. Eu estou aqui para falar das minhas desventuras para com este jogo único e singular e que, com pena, tem poucos adeptos no Brasil, ou, pelo menos, no Ceará.
O que eu posso dizer? Bom, você começa jogando Banco Imobiliário e Jogo da Vida, estas são, para mim, as duas formas mais básicas para começar a jogar RPG. Opa, vamos parando por aqui, é melhor, antes de mais nada explicar o termo RPG, não acham? O que vem a ser esta sigla? Ela significa Role Playing Game, ou Jogo de Interpretações de Papel, isto é, você está num jogo no qual encarna um personagem. Não vou me alongar muito nisto porque, enfim, muitos sabem o que eu estou dizendo e aqueles que não sabem o tio Google ajuda.

Voltando o que eu estava escrevendo, o Banco Imobiliário e o Jogo da Vida são dois exemplos bem rudimentares para se jogar RPG, o primeiro, você é um empresário que compra terrenos e construí imóveis para dominar o jogo e o segundo você se torna um médico, advogado, jornalista e outras profissões e vai até o fim do jogo se casando, comprando seguro e tendo filhos, tudo isto com as probabilidades e possibilidades que estão na vida. Claro, haverá aqueles que irão argumentar contra esta minha taxação de que estes jogos são RPG, mas vamos seguir a sigla ao pé da letra e, desta forma, muitos jogos de tabuleiros são, de fato, RPG’s, rudimentares, mas o são.
Quando você está jogando este jogo e vai crescendo com o tempo, acaba-se perguntando, o que tem mais? Você pode dar a sorte grande e ter amigos no escola que tem primos que jogam RPG e acabam te apresentando este estilo novo e excitante ou, caso você se torne um viciado em consoles, acabará sabendo o que é RPG com as grandes franquias como Grandia, Breath of Fire e Chrono Trigger. De toda forma, de alguma maneira você acaba sendo introduzido ao RPG, seja o de mesa, seja o eletrônico.

E caso você goste de ler, goste de imaginar, goste de interpretar, acaba-se se apaixonando com este que é um dos modelos de jogos mais libertadores que existem. Particularmente, desde o meu primeiro encontro de RPG, que aconteceu com Phantasy Star I no Master em 1992, e, um ano depois ao AD&D, eu nunca mais fui o mesmo.
Ao se reunir com amigos e amigos dos amigos para se jogar uma partida de RPG é algo indescritível. Você nunca se dá conta o quão enriquecedor e desafiador é um jogo deste naipe, claro, muitos aqui vão defender que jogos como Vampiro e Lobisomem são bem mais trabalhosos porque precisam que o jogador realmente saiba interpretar, mas convenhamos, jogar AD&D com 12, 13 anos de idade, é como jogar Vampiro e Lobisomem com 16, 17 anos, tudo vai depender dos mestres e de seus jogadores.
Lembro bem quando comecei a minha aventura da AD&D na minha cidade. Eu fui com o básico guerreiro com tendência neutra, pois, assim, eu poderia modificar a personalidade do personagem ao meu bel prazer. E o meu auge neste jogo foi o famoso penhasco no qual tinha pedras do nosso lado e árvores do outro. Como todo bom guerreiro, tinha em minhas mãos o bom e velho arco e flecha e 20 metros de corda. Fiz o teste de destreza e o teste de força e finquei bem a flecha na árvore. Amarrei a corda nas pedras e fiz um teste de resistência na corda para ver se a mesma agüentava o peso do grupo. E não é que deu certo?

Oura, para personagem nível um, foi uma das maiores cagadas que já executadas por um personagem, sem contar o quão feliz eu fiquei ao tirar números altos nos dados. Com o decorrer da campanha eu fiz o que todo Geek nerd adolescente queria fazer, montar o seu personagem do sonhos e como eu era fã do homem-aranha, consegui convencer o mestre a me dar uma armadura simbótica. Um ser que dava +2 de resistência, +3 de força e 30 pontos a mais de vida ao meu personagem, com uma vantagem de não estar consciente e a desvantagem de ser frágil a fogo. Pena que isto foi no fim da carreira do mestre e o meu personagem ficou esquecido no limbo.
Mesmo assim, fui atrás de outros grupos de rpg, comecei a comprar a revista Dragon Brasil e até joguei num grupo de Gurps e Magic, neste último, eu era um péssimo jogador. De toda forma, foi assim que eu vi como havia poucos grupos em Fortaleza e grande parte das grandes turmas de RPG’s ficavam restritos a Sampa e ao Rio, o que era muito triste para mim.
Mas foi em 1998, já com o advento da Internet que eu tive uma das minhas maiores surpresas, eu achei o PBeM – play by email. Mas isto é uma outra história que eu irei contar em breve.

E sobre as minhas aventuras no rpg eletronico, estarei escrevendo no Snake in the box.




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