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[Ponto de Curtura] – O Mágico de Orós, digo, Oz!

Sun, Jun 20, 2010

Curtura

É isso aí povão do meu Brasil, ou do Ceará, ou, de Fortaleza, eu fui ao Teatro, incentivado por uma amiga, que a considero muito, fui ver esta grande ferramenta de atuação que não deve em nada para o Cinema ou a TV. Um dia, eventualmente, eu teria de me tornar um ser culturado não acham? E a primeira peça que fui assistir foi O Mágico de Oz. Vamos seguindo pela estrada de tijolos de ouro?

Estrada de Tijolos


Antes de começar a falar da peça de teatro, colocarei aqui, um resumão do que vem a ser o primeiro livro, bem simplificado.

Quando a pequena Dorothy Gale caiu neste estranho lugar chamado o país de Oz, deparou-se com pequenas pessoas, que nunca tinha visto iguais. E, para piorar, ninguém ali sabia onde ficava o Kansas, de onde viera a jovem heroína.

Afastado de qualquer lugar real – ou sério – descobriu que estava numa terra desconhecida por todos, batizada com o estranho nome de… Oz.

A menina caíra no País dos Munchkins, o nome daqueles estranhos seres. E o leitor do primeiro livro da série (O Maravilhoso Mágico de Oz) percorre , junto à garotinha, a “Estrada de tijolos amarelos”, rumo ao centro daquela terra ignorada, onde ergue-se majestosa a Cidade das Esmeraldas.

Mais a oeste, está a terra dos Winkies, ao Norte, o País dos Gillikins, e a Sul o País dos Quadlings, onde fica o castelo da Bruxa Glinda, a Boa.

Sim, meus caros amigos, O Mágico de Oz faz parte, na verdade, de uma coleção de livros lançados no inicio do século 20, por L. Frank Baum, que mostrava as desventuras dos seres e pessoas na Terra de Oz. Bem, eu poderia passar posts e posts explicando aqui a respeito da série de livros, mas, como eu não os li, e estou pegando muitas as informações pelo Wikipedia, fica para a próxima, vamos, então, a peça de teatro.

Mágico de Oz


Fui a sessão de Mágico de Oz deste sábado, dia 19 de junho de 2010 no Teatro Celina de Queiroz, que fica na Universidade de Fortaleza, Unifor. Bom, chegando por lá, havia uma ruma de crianças, porque, claro, é uma peça infantil e se tivesse só adulto seria algo, digamos, estranho, para dizer o mínimo não acham?

A sessão que deveria começar às 17:00 horas, foi um pouco mais tarde, mas isto é normal e de praxe, já que sempre acontecem perrengues de última hora e acontece com qualquer um, não é? Mas vamos nos ater ao peça por si só, que é mais importante. Abaixo a sinopse criada pelo grupo que criou a peça.

As aventuras de Dorothy na fantástica Cidade das Esmeraldas, criada pelo Mágico de Oz, chega ao palco do Teatro Celina Queiroz, nos meses de junho e julho, na mais nova montagem do Grupo Mirante de Teatro da Universidade de Fortaleza. Uma adaptação da obra de Lyman Frank Baum, o espetáculo se propõe a discutir, de uma forma lúdica e divertida, a importância do referencial de lar para a criança e a disposição de ajudar as pessoas.

Em o Mágico de Oz, a menina Dorothy se perde de casa durante a passagem de um temporal e acaba conhecendo alguns amigos num reino mágico. Criada pelos tios, Dorothy é uma menina alegre e determinada. Ela acredita, acima de tudo, que lugar de criança é em casa, mesmo estando em lugar mágico e fantástico.

A obra de L. F. Baum tornou eterna a interpretação de Dorothy por Judy Garland, nos anos 30, valendo-lhe um Oscar. Trata-se, portanto, de um clássico. O espectador irá deparar-se com uma história alegre e cuidadosamente contada em cada detalhe, seja na interpretação dos atores, no cenário, no colorido dos figurinos ou na iluminação.

E, a peça, enfim começou, tudo estava a meia-luz e não havia notado que o gelo seco tinha tomado conta de todo o teatro, talvez para dar um tom de sonho, ou de uma breve ilusão que nos invade nos instantes finais entre o sono e o despertar, ou se foi só invencionisse por parte do pessoal técnico, dá na mesma, mas aí veio a Dorothy, a personagem principal da peça, voando, voando, voando e deixando a sua casa cair em cima da coitada da bruxa do Leste, claro que ela morre. E assim começam as aventuras da Dorothy em Oz.

No meio do caminho acaba por encontrar com o espantalho que lhe falta um cerebro, uma benção para os dias de hoje, um homem de lata, talvez enferrujado com a maresia monstruosa de Fortaleza e, por fim, um leão, que de leão só tem nome, parecendo mais um panda que solta espirros como este:



Na verdade estou zoando, um leão que, para ele, lhe falta a coragem para ser o rei da floresta, altivo e consagrado. Enfim, com o grupo reunido, eles acabam rumando pela estrada de tijolos de ouro para a Cidade das Esmeraldas onde fica o Poderoso Mágico de Oz.



Poderia continuar a escrever acerca da história, mas todo mundo já sabe o que acontece, pelo menos aqueles que assistiram ao filme, no qual se diz que Oz é um mundo de sonhos criado por Dorothy, mas para quem leu os livros, sabe-se que, na verdade, o universo de Oz existe, em algum lugar, tal qual, digamos, Nárnia, de C.S. Lewis, o Mundo das Maravilhas e do Espelho, de Lewis Carroll e A Terra do Nunca, de J. M. Barrie. Fica a cargo aqui do leitor ir atrás para saber mais sobre a história, ou, ir ao Teatro Celina de Queiroz para ver ao vivo a peça, no qual, posso dizer, foi muito boa e bem interessante.

A necessidade de ser uma adaptação se faz jus ao espetáculo, pois foram postos os elementos mais interessantes e que dão coesão e textura a história, claro que não poderiam fazer mais, porque o mundo de Oz, tais como outros mundos de Fantasia, se faz necessário, além da interpretação dos artistas, a imaginação do espectador. E, nos dias de hoje, a imaginação anda muito em baixa, videogame, filmes, acabam por destruir, de pouco a pouco, a capacidade da criança de fantasiar e uma peça de teatro ou um livro podem assim reverter algumas sequelas deste mundo novo e louco.

Pois bem, estava falando da interpretação dos personagens, posso dizer, pelo pouco que eu me lembro do filme original, posso dizer que as interpretações não são literais ao do filme, são, na verdade, adaptações do próprio grupo de teatro perante a obra e, assim, aqueles que assistirem terão a oportunidade única de ver interpretações genuínas de um grupo bem capaz.

A Dorothy, no qual me escapa o nome da atriz, na verdade, o povo se esqueceu de colocar a informação no site, aí fica dificil né? :P Estava bem a maneira de menina, ingênua, boa de coração e com a vontade de ajudar, como ocorre em toda criança dos tempos de antigamente.

O Espantalho, não vão se confundir com aquele do Batman, estava bem maleável e condizente na sua condição de ser de palha. O ator se movimentava “livre ao vento” e teve tiradas ótimas de uma pessoa descerebrada, mas, o que eu mais gostei mesmo, foi a voz, amei a voz do ator que fez o espantalho, parecia, na verdade, que eu estava assistindo a um desenho animado.

Veio, em seguida, o Homem de Lata, o jeito duro de se movimentar, condizente com o personagem e interpretado de ótima maneira pelo ator, trás, por baixo de todo o metal que o permeia, um ser triste que sente a falta de um coração. A capacidade dele mostrar as suas emoções através de ações lhe renderia surpresas em breve. E, como havia demarcado, o movimento duro, quase de metal do Homem de Lata foi o ponto alto, para mim, da interpretação do ator.

Então nos vem o Leão, com o seu rugido alto, o seu andar meio quadrupede, meio bipede, porque, enfim, em Oz todos os bichos andam e falam, pelo visto, teve uma boa interpretação por parte da atriz, isso mesmo, é uma moça interpretando um Leão, e ela não deixa por menos, mas claro que como todo bom medroso, teve medo da Dorothy no primeiro encontro. Um dos pontos altos desta composição foi a atriz ter conseguido disfarçar bem a sua voz, dando certamente um momento de surpresa ao final da peça quando alguns pais e crianças descobriram se tratar de uma mulher interpretando.

Tivemos, ainda, a Bruxa boa do norte, com um jeitão de boa pessoa, amável, caridosa e que estava afim de ajudar, juntamente com o anão, onde o ator veio a interpretar três papeis diferentes, penso eu, ou, na verdade, uns cinco, eu perdi a conta no terceiro! XD

As bruxa do Sul, fazendo uma breve aparição, fez uma atuação impecável, juntamente com a Bruxa do Oeste, esta, tanto na forma de Bruxa do Oeste como velhinha trapaceira, foram bem distintos e marcantes.

Um dos pontos altos da peça era o conjuramento dos macacos invisiveis por parte da Bruxa má do Oeste, a Dorothy e a Bruxa do Sul, por um tempo, achei que quando a Dorothy chutado para o Gol, ouviria alguém gritar goooooooooooooooooooll, pena que não aconteceu… rs

Enfim, todos fizeram uma atuação marcante, cada qual com os seus personagens. Os textos foram bem postos para cada personagem, mostrando os seus pontos mais fortes e isto é o bastante para o entendimento da peça, claro que para uma pessoa que já leu os livros ou viu o filme, a efeito de comparação, sempre fica faltando algo, como sempre o é numa adaptação.

Houve mudanças evidentes por questões técnicas, como, o Toto, que vira um bicho de pelúcia, e os macacos alados que ficam invisiveis, mas, ainda assim, foram bem adaptados para o contexto geral da história, não fazendo esvair, e mesmo porque tais elementos não são tão importantes para o roteiro original – ou até eu ler o livro e mudar de ideia – e poderiam ser adaptados mesmo.

A sonoplastia foi de bom tom e mesmo com a barulheira de algumas crianças que não eram contidas pelos pais e acompanhantes, os atores podiam ser ouvidos sem maiores atrapalhos, as poucas vezes que se fez uso de trilha sonora, foram bem colocados e na hora exata, com uma exceção de um problema técnico no seu final, mas que não destroi a obra como um todo.

Os cenários de fundo ajudam as crianças e adultos a se transportarem para os locais determinado do mundo de Oz e, assim, contemplar a magia da imaginação.

E só faltou dizer sobre o figurino e sabe o que eu tenho a dizer? Ótimos, todos eles. Desde a simplicidade da Dorothy, passando pela complexidade do Homem de Lata, aos vestidos de saias das bruxas. Todos ótimos.

Parabéns ao grande elenco.

Uma nota? Eu tenho de dar uma nota. Então aqui vai: 8.0/10.0

Vocês, pais, tios, primos maiores, querem dar um bom presente de férias para os seus pirralhos? Levem eles para assistir o Mágico de Oz. Eu, um fã incondicional de Cinema, séries de TV e Games, adorei a peça de teatro. E eu só queria dizer, meus parabéns a aquela que me levou ao mundo do teatro e da interpretação, estou adorando… só não vou dizer o nome para não ficar evidente! :P

Agora deixo, aqui, uma música que fez muita falta do espetáculo e sei que isto ficaria clichê, mas uma vez ou outra, sempre temos de ser clichê não acham?



Abaixo maiores informações sobre os dias do espetáculo, mas liguem antes para confirmar e comprem antecipadamente, pois os ingressos acabam rápido:

Ficha técnica
Direção geral e produção: Hertenha Glauce/Kelva Cristina
Adaptação do texto: Kelva Cristina
Criação de figurinos e adereços: Yuri Yamamoto
Execução de adereços: Carri Costa
Cenário: José Adjafre
Iluminação: Walter Façanha
Preparação vocal: Kelva Cristina
Elenco: Anderson Barreto, Bruno Teixeira, Érico Maciel, Isabelle Araújo, Mara Nóbrega, Monera Sampaio e Natália Martins

Serviço
Mágico de Oz
Datas: Junho de 2010 – dias 12 e 13 e 19
Julho de 2010 – dias 10 e 11, 17 e 18 e 24 e 25
Local: Teatro Celina Queiroz
Horário: Sessões sempre às 17h
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Classificação indicativa: Livre

Fonte: Unifor

E um finalmente… para mostrar que a fantasia ainda não morreu… vejam e ouçam esta linda abertura do seriado The 10th Kingdom.



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1 Comentário(s)

  1. Kelva Cristina Saraiva disse:

    Olá! Gostaria de agradecer muitíssimo pela gentileza de escrever sobre o espetáculo O MÁGICO DE OZ. Saiba que ele foi pensado cuidadosamente para o público e sinto-me feliz por tê-lo recebido no Celina Queiroz.
    Fazer teatro infantil é muito difícil. Trabalha-se bastante. Aliás, fazer arte é duro. Então contar com apoio é bom e faz bem.
    Sim, tu entendeste certo que tivemos de fazer muitas modificações do livro para o teatro. Não do filme, mas do livro. E literatura é uma linguagem riquíssima, mas diferente da nossa.
    Deixo aqui o convite para que tu vás novamente e que possamos conversar pessoalmente sobre tudo.

    Um abraço forte.
    Kelva.

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